Psicoterapia é companhia para navegar a vida

Em seu diário de viagem a velejadora Tamara Klink escreveu:
“Me acostumei a estar só […] ver ondas cobrindo o barco sem me expressar — não havia com quem compartilhar o susto.”
Há experiências na vida que se parecem com isso: acontecem, nos atravessam, mas não encontram lugar onde possam ser compartilhadas.
Quando algo nos assusta profundamente e não há com quem falar, a experiência permanece como um impacto isolado, difícil de elaborar.

Muitas vezes, o sofrimento psíquico se organiza dessa forma. Não apenas em grandes acontecimentos, mas também em situações que, ao longo da vida, vão se acumulando: perdas, rupturas, frustrações, mudanças, encontros e desencontros. Experiências que, quando vividas em solidão, podem deixar marcas.
Na psicoterapia psicanalítica, esse conteúdo pode ser retomado na presença de alguém que escuta. E escuta de maneira especial, com ouvidos atentos e sensíveis aos detalhes que a maioria das pessoas não é capaz de perceber.
Não se trata de remoer o passado, mas de criar condições para que aquilo que ficou sem palavra possa, pouco a pouco, ser elaborado e liberar espaço para o novo.
Muitas pessoas acreditam que uma psicoterapia é como um serviço de consulta, de aconselhamento, de concerto. Pode ser também, mas essa não é a essência do trabalho. É muito mais um espaço onde é possível falar e ser escutado, e o que antes era vivido como um impacto isolado pode ganhar outros contornos.
Um susto silencioso é transformado em história a ser contada.
A psicoterapia é, em essência, uma companhia para não se atravessar a experiência da vida completamente sozinho.

PSICOTERAPEUTA
Sou Raquel Mazo, psicóloga CRP 06/112414, mestra em psicologia, especialista em psicologia clínica e pós-graduanda em psicanálise vincular.
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