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Devo fazer psicoterapia individual ou terapia de casal?

Foto do escritor: Raquel Mazo
Raquel Mazo
2 de jun.
2 min de leitura

Atualizado: 19 de jun.

Algumas pessoas me procuram essa dúvidas: para questões de relacionamento, é mais indicado iniciar uma psicoterapia de casal ou uma análise individual?


Há quem chegue inclinado para a terapia de casal por acreditar que o problema está na relação, nas brigas que se repetem, nos ciclos que não se rompem, naquilo que o outro faz e que machuca. Nessa lógica, "se o problema é entre nós, o tratamento também deveria ser".


Há quem busque análise individual por sentir que carrega algo em si, que se revela nos relacionamentos, e não se resolve, como uma dificuldade de se relacionar de forma geral, e que se repete em todas as relações, não só na atual.


As duas percepções podem fazer sentido, por isso surge a dúvida. E para decidir, é importante uma ou mais conversas iniciais, que chamamos de entrevista, onde psicoterapeuta e paciente pensam e decidem juntos.


Um processo individual trabalha o sujeito, sua história, seus padrões, o que ele repete sem perceber. Então, se o sofrimento aponta para algo que a pessoa percebe que a deixa presa em repetições, talvez o caminho seja esse.


Um vínculo, por outro lado, envolve o casal, e produz fenômenos que não existem fora dele, mas dinâmicas que são produzidas no encontro daquelas duas pessoas, naquele momento, e em nenhum outro.


A terapia de casal não trata dois indivíduos em paralelo. Ela trata o que acontece entre eles!


Se o sofrimento está localizado num vínculo específico, numa dinâmica que se instalou entre dois, talvez o trabalho precise acontecer justamente ali, onde o problema aparece. Mas para isso, ambos os membros do casal devem estar motivados a cuidar da relação.


Existe também uma hierarquia não declarada, do senso comum e, às vezes, dentro do próprio meio psicanalítico, que coloca a psicoterapia individual num lugar de maior profundidade. Como se a terapia de casal fosse mais focal, mais breve, mais superficial. Uma espécie de antessala do trabalho "de verdade". Não é assim que penso.


Os dois dispositivos psicoterapeuticos (individual e casal) olham para o sofrimento de lugares diferentes, por isso um não substitui o outro.


Um revela o que o outro não mostra!


Não há profundidade maior nem menor. Há olhares diferentes sobre o mesmo sofrimento. E cada dispositivo ilumina uma parte do que está acontecendo.



PSICOTERAPEUTA


Sou Raquel Mazo, psicóloga CRP 06/112414, mestra em psicologia, especialista em psicologia clínica e pós-graduanda em psicanálise vincular.


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Raquel Mazo Psicóloga

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