A relação do casal com a terapia também conta uma história
- Raquel Mazo

- 21 de mai.
- 2 min de leitura
Costumo observar com bastante atenção a maneira como cada casal se relaciona com a própria terapia de casal.
E isso me interessa porque, muitas vezes, aspectos importantes da dinâmica do relacionamento começam a aparecer antes mesmo das discussões mais profundas.
Eles aparecem na forma como o casal chega.
Alguns chegam juntos, conversando sobre a semana, ambos implicados no processo.
Outros chegam em silêncio.
Há casais em que um organiza tudo sozinho: agenda horários, lembra pagamentos, sustenta as conversas e parece carregar a responsabilidade emocional da relação inteira.
Enquanto isso, o outro comparece quase como alguém que foi levado.
Também existem casais em que um dos dois frequentemente tenta faltar, desmarcar ou evitar as sessões justamente quando temas importantes começam a surgir.
As pessoas imaginam que a terapia de casal acontece apenas durante aquilo que é dito na sessão. Mas, na prática, a relação do casal com a própria terapia frequentemente reproduz a forma como cuidam, ou deixam de cuidar, do vínculo.
A pontualidade, os esquecimentos, o manejo financeiro, a disposição para estar presente, a capacidade de sustentar conversas difíceis, o interesse genuíno pelo processo, o interesse em que a terapia conserte o parceiro, e até a tendência de apenas um dos dois fazer o trabalho emocional na sessão, entre outros, dizem muito sobre o funcionamento daquela parceria.
Isso não significa julgar o casal, nem transformar pequenos comportamentos em diagnósticos simplistas.

Mas, em psicoterapia de casal, muitas vezes observamos não apenas o conteúdo dos conflitos, mas também a forma como duas pessoas constroem juntas determinadas dinâmicas emocionais.
Porque alguns casais desejam profundamente mudar a relação. Outros desejam apenas aliviar temporariamente os sintomas da crise sem realmente entrar em contato com aquilo que ela revela.
Sustentar um espaço semanal de observação do vínculo exige disponibilidade emocional. Exige suportar desconfortos, rever posições, escutar coisas difíceis sobre si mesmo e reconhecer que a relação é construída pelos dois, não apenas pelo parceiro.
Talvez por isso a terapia de casal seja tão mais complexa do que simplesmente “melhorar a comunicação”.
Ela frequentemente revela como o casal cuida da própria relação quando existe um espaço real para olhar para ela.
E, muitas vezes, o jeito como duas pessoas sustentam a própria terapia já começa a mostrar exatamente o tipo de vínculo que conseguem construir juntas.

PSICOTERAPEUTA DE CASAL
Sou Raquel Mazo, psicóloga CRP 06/112414, mestra em psicologia, especialista em psicologia clínica e pós-graduanda em psicanálise vincular.
Atendimento on-line


