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O que a traição pode revelar sobre um relacionamento

  • Foto do escritor: Raquel Mazo
    Raquel Mazo
  • 17 de mai.
  • 2 min de leitura

Já ouvi muitas pessoas dizendo que, caso descobrissem uma traição, o relacionamento terminaria no mesmo momento. E, no entanto, muitos casais chegam à terapia de casal justamente neste momento.


Uma traição não cria exatamente o fim de um relacionamento. Ela revela uma degradação que já vinha acontecendo silenciosamente. E o ato faz o casal despertar para algo importante.


Isso não significa justificar a traição ou diminuir a dor que ela provoca.


A descoberta costuma ser profundamente desorganizadora. Destrói idealizações, rompe pactos de confiança e desperta sentimentos intensos de raiva, humilhação, abandono e desamparo.


Mas talvez exista uma pergunta mais difícil por trás da revolta inicial: o que estava acontecendo entre duas pessoas para que uma terceira pudesse entrar naquele espaço, que estava vazio?

Muitos casais passam anos funcionando de maneira aparentemente estável, mas emocionalmente distantes. Conversam apenas sobre tarefas, evitam conflitos importantes, deixam de compartilhar vulnerabilidades, desejos, frustrações e afetos mais profundos.



A relação continua existindo por fora.


Mas algo dela vai ficando vazio por dentro.


E, às vezes, a traição aparece justamente nesse espaço silencioso que o casal deixou de enxergar.


Por isso, em uma psicoterapia de casal, o trabalho não costuma se limitar a descobrir “quem está certo” e “quem está errado”.


A traição envolve responsabilidade de quem traiu. Mas também convida o casal a olhar para a dinâmica emocional que vinha sendo construída entre os dois muito antes da descoberta.


Talvez a parte mais dolorosa da traição seja justamente perceber que também existe alguma responsabilidade por parte de quem foi traído.

A primeira reação de quem descobre ter sido traído é a de vitimização. Mas a traição não revela apenas que alguém foi enganado. Revela que havia um engano sendo vivido a dois.


E poder perceber isso abre para uma possibilidade rara: a de abandonar uma relação sustentada por silêncios, idealizações ou falsidades emocionais, para construir (juntos ou separados), formas mais verdadeiras de existir nos vínculos.



PSICOTERAPEUTA DE CASAL


Sou Raquel Mazo, psicóloga CRP 06/112414, mestra em psicologia, especialista em psicologia clínica e pós-graduanda em psicanálise vincular.


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Raquel Mazo Psicóloga

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