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O potencial de autoconhecimento em um relacionamento

  • Foto do escritor: Raquel Mazo
    Raquel Mazo
  • 17 de mai.
  • 2 min de leitura

Quase todos que chegam à terapia de casal tem muito a dizer sobre o outro. Mas vejo pouca ou nenhuma disponibilidade para ouvir o outro.


Enquanto um fala das falhas, ausências e dificuldades do parceiro, o outro já está se preparando internamente para responder, se defender ou devolver outra crítica.


Muitas pessoas desejam autoconhecimento, fazem terapia, leem sobre emoções, querem compreender seus padrões e dificuldades. Mas, curiosamente, poucas conseguem sustentar emocionalmente aquilo que um relacionamento íntimo pode revelar sobre elas.

Porque nenhuma convivência próxima acontece sem atrito. É justamente na intimidade que aparecem dificuldades pessoais, comportamentos complicados e reações desproporcionais que denunciam os pontos cegos que dificilmente perceberíamos sozinhos.


Por isso, um relacionamento amoroso pode ser uma experiência profunda de autoconhecimento.


O outro nos observa de perto. Percebe movimentos, reações, sensibilidades, repetições e formas de funcionamento que muitas vezes escapam da nossa própria percepção.


Mas existe uma condição importante para que isso se transforme em crescimento: a capacidade de ouvir sem transformar imediatamente tudo em ataque.


E isso não é simples.


Para muitas pessoas, receber uma crítica desperta vergonha, humilhação, sensação de inadequação ou ameaça emocional. Então a reação costuma ser defensiva, com justificativas, ataques, fechamento emocional, afastamento ou blindagem psíquica.

O problema é que, quando alguém precisa se defender o tempo inteiro, deixa também de conseguir se perceber.


E talvez uma das maiores riquezas de uma relação esteja justamente na possibilidade de ser visto.


Não apenas amado nas partes bonitas, mas também enxergado nas próprias dificuldades, limitações e precariedades emocionais.



De certa forma, existe algo parecido entre um relacionamento e uma análise ou psicoterapia. Nos dois casos, alguém observa aspectos nossos que sozinhos talvez não conseguiríamos enxergar completamente. Mas, enquanto na análise esse olhar acontece de forma mais unilateral, numa relação amorosa ele acontece em mão dupla.


E talvez seja isso que torne os vínculos tão difíceis, e tão transformadores. Porque, quando duas pessoas conseguem sustentar essa troca sem destruir uma à outra emocionalmente, o relacionamento deixa de ser apenas um espaço de companhia. Passa também a ser um espaço de crescimento psíquico mútuo.


Talvez por isso alguns casais amadureçam tanto juntos. Porque não evitam confrontos e conseguem transformá-los em possibilidade de consciência, em vez de apenas em defesa e ressentimento. também a ser um espaço de crescimento psíquico mútuo.



PSICOTERAPEUTA DE CASAL


Sou Raquel Mazo, psicóloga CRP 06/112414, mestra em psicologia, especialista em psicologia clínica e pós-graduanda em psicanálise vincular.


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Raquel Mazo Psicóloga

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