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Quando conversar é como tentar atravessar uma porta fechada

  • Foto do escritor: Raquel Mazo
    Raquel Mazo
  • 19 de abr.
  • 2 min de leitura

Você já teve a sensação de tentar conversar no relacionamento, mas é como se estivesse falando através de uma porta fechada?


Porque, às vezes, em casal, a pessoa fala, explica, insiste, aponta o que machuca, pede mudança… mas nada parece realmente atravessar o outro. Então surge uma sensação muito difícil de sustentar: a de estar sozinho dentro da relação.

Em muitos casais, esse processo vai acontecendo lentamente.


Um dos dois começa tentando ajustar algo. Fala sobre atitudes que machucam, sobre ausências, sobre necessidades emocionais que não estão sendo atendidas.


Mas, à medida que as tentativas se repetem sem transformação, o tom muda.


O que antes era pedido vira cobrança. O que antes era tentativa de aproximação vira crítica. E o outro, em vez de conseguir escutar, começa a se sentir constantemente acusado, insuficiente ou pressionado.


Então se fecha.


E talvez exista algo importante nisso: muitas pessoas acreditam que não são ouvidas porque o parceiro não se importa. Mas, em alguns relacionamentos, o problema não é apenas falta de escuta.


É que a comunicação inteira passou a acontecer dentro de uma dinâmica de defesa. Quanto mais um insiste, mais o outro se protege. Quanto mais o outro se fecha, mais o primeiro aumenta a intensidade para tentar finalmente ser escutado.

E assim o casal entra num ciclo em que ambos sofrem, mas nenhum consegue mais realmente alcançar o outro.



Porque, quando alguém se sente atacado o tempo inteiro, começa a ouvir menos para compreender e mais para se defender.


Isso não significa que os incômodos não sejam legítimos.

Nem que alguém precise se calar para preservar a relação.


Mas talvez exista uma diferença importante entre falar sobre o outro e conseguir falar de si.


Existe diferença entre: “Você nunca me escuta.” e “Tenho me sentido sozinho dentro da relação.”

A segunda forma não elimina o conflito. Mas cria mais possibilidade de encontro.

Porque deixa de colocar toda a conversa em torno do erro do parceiro e passa a revelar também a experiência emocional de quem sofre.


Na terapia de casal, é muito comum encontrar relações exatamente nesse ponto: duas pessoas cansadas, ressentidas e com a sensação de que falar já não adianta mais.

E, muitas vezes, o trabalho começa justamente ajudando o casal a perceber que o problema não está apenas no que está sendo dito.


Mas no fato de que, há algum tempo, ambos passaram a conversar como quem tenta atravessar uma porta emocionalmente fechada.



PSICOTERAPEUTA DE CASAL


Sou Raquel Mazo, psicóloga CRP 06/112414, mestra em psicologia, especialista em psicologia clínica e pós-graduanda em psicanálise vincular.


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Raquel Mazo Psicóloga

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