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Quando morar no exterior leva o casal a uma crise inesperada

  • Foto do escritor: Raquel Mazo
    Raquel Mazo
  • 18 de mai.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 22 de mai.

Uma pessoa que mora no exterior me contou que começou a chorar no supermercado porque não conseguia encontrar um produto simples.


Parecia um motivo pequeno demais para tanto sofrimento. Mas, na verdade, não era sobre o produto.


Era sobre o cansaço de precisar pensar o tempo inteiro em coisas que antes aconteciam naturalmente. Outro idioma, outra cultura, outra lógica social, ausência de referências familiares, dificuldade de fazer amizades, medo de não pertencer completamente.


Morar fora pode ser uma experiência profundamente enriquecedora. Mas também pode ser emocionalmente desorganizadora.


E muitos casais só percebem isso quando começam a se sentir estranhos um com o outro depois da mudança.


Alguns casais passam a discutir mais. Outros se afastam emocionalmente. Alguns desenvolvem dependência excessiva um do outro. Outros começam a sentir solidão mesmo dentro da relação.

Em casais interculturais, isso pode ganhar outra camada de complexidade.


Porque, às vezes, a diferença cultural deixa de ser apenas interessante e começa a atravessar o cotidiano: formas diferentes de demonstrar afeto, de lidar com dinheiro, conflitos, família, rotina, intimidade e expectativas sobre o relacionamento.


A diferença deixa de estar apenas fora de casa. Ela passa a existir dentro dela também.


Em muitos casos, um dos parceiros chega ao novo país já mais adaptado emocionalmente, enquanto o outro perde parte importante da própria identidade. Isso acontece com frequência quando alguém acompanha o parceiro por causa de trabalho e encontra mais dificuldade para construir autonomia profissional, rede social ou sensação de pertencimento.


Quando um casal muda de país, perde junto muitas estruturas emocionais que ajudavam a sustentar a relação.


Amigos, família, rotina, língua, reconhecimento social, sensação de familiaridade e até pequenas distrações que antes distribuíam as tensões emocionais da vida.


Então o casal passa a se encontrar muito mais diretamente consigo mesmo — e um com o outro.


E isso pode ser tanto uma crise quanto uma oportunidade profunda de crescimento.

Porque algumas dificuldades que parecem ter surgido “depois da mudança” talvez já existissem silenciosamente antes, mas permaneciam encobertas pela estabilidade da vida anterior.


Na terapia de casal, muitos casais que vivem fora chegam justamente tentando compreender isso: o que pertence à adaptação cultural e o que revela dificuldades emocionais mais profundas na relação.


E, muitas vezes, o trabalho ajuda o casal a construir a capacidade de transformar a própria relação em um lugar de segurança emocional, pertencimento e vínculo verdadeiro, algo que é fundamental quando se vive longe do país de origem.

  

Porque morar fora não cria apenas distância da cultura de origem.

Às vezes obriga duas pessoas a descobrirem se conseguem realmente ser casa emocional uma para a outra.



PSICOTERAPEUTA DE CASAL


Sou Raquel Mazo, psicóloga CRP 06/112414, mestra em psicologia, especialista em psicologia clínica e pós-graduanda em psicanálise vincular.


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Raquel Mazo Psicóloga

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